A Localiza&Co contabiliza, em 2026, cerca de 10 mil agentes de inteligência artificial criados dentro dos próprios times, mais de 8 milhões de prompts trocados e 9,5 mil dos 24 mil colaboradores impactados por treinamentos em IA generativa. Os números foram divulgados pelo IT Forum nesta semana e mostram uma empresa que deixou de testar IA e passou a reorganizar o trabalho em volta dela.
A trajetória começou no fim de 2023, quando a companhia escalou o Copilot, da Microsoft, para uso interno — hoje são mais de 8 mil licenças, e a Localiza figura entre as primeiras do Brasil a adotar o pacote Microsoft 365 E7. Uma camada semântica própria, batizada de WorkIQ, organiza o contexto da empresa dentro do ecossistema de colaboração para que os agentes encontrem informação útil, e não lixo espalhado em pastas.
O detalhe que interessa ao dono de PME: a licença foi a parte fácil. O que sustentou a adoção foi um ritual simples — apresentações semanais em que os times mostram os agentes que construíram sozinhos, formato mantido até hoje. Um estudo interno de 2024 já apontava economia média de 8,3 horas mensais de tarefas mecânicas por colaborador; entre os heavy users, 19 horas. Sem essa camada de capacitação e troca, agente parado vira custo de licença.
Os resultados apareceram também de frente para o cliente. A Liza, assistente virtual da companhia no WhatsApp e no site, elevou as reservas digitais de cerca de 2 mil para quase 8 mil por mês e reduziu em 74% os tickets que precisavam ir para equipes humanas, segundo o IT Forum em junho. O atendimento cresceu seis vezes em capacidade sem contratar proporcionalmente.
O movimento da Localiza não é exceção. Segundo o Work Trend Index 2026, da Microsoft, o número de agentes ativos no ecossistema Microsoft 365 cresceu 15 vezes em um ano — 18 vezes entre grandes empresas. No Brasil, 27% dos profissionais que usam IA já são classificados como “Frontier Professionals”, capazes de automatizar fluxos com múltiplos agentes, proporção acima de EUA e Japão.
Quatro lições exportáveis para uma PME:
- Capacite antes de comprar: a Localiza treinou 9,5 mil pessoas antes de falar em escala.
- Crie um ritual semanal de troca — alguém mostra o que automatizou e como.
- Comece por tarefa repetitiva e mensurável, como atendimento ou conferência.
- Meça horas devolvidas ao negócio, não quantidade de agentes criados.
Quem quiser um caso menor e mais copiável, com alçada desenhada do zero, pode ler o agente conferente de pedidos de uma distribuidora catarinense — e a discussão sobre alçadas para agentes de IA mostra o que definir antes do go-live.
Fontes: IT Forum — “Localiza soma 10 mil agentes de IA e redesenha forma de trabalhar” (01/09/2026) e “Liza, assistente virtual da Localiza&Co, triplica volume de reservas” (17/06/2026); Moon BH — evento Microsoft/Localiza (28/08/2026).
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