O processo que ninguém quer fazer
Conferir pedidos que chegam por WhatsApp e e-mail é trabalho de fundo de quintal: invisível quando funciona, caro quando erra. Uma distribuidora de materiais elétricos do interior de Santa Catarina, com 62 funcionários, vivia isso na pele. Três pessoas passavam cerca de 6 horas por dia digitando pedidos no ERP e conferindo contra o catálogo.
O erro humano estava em torno de 8% dos pedidos — item trocado, quantidade errada, preço desatualizado. Cada erro virava retrabalho em dobro: devolução, nova nota, cliente esperando.
O que foi implementado
Em três semanas, a empresa colocou no ar um agente de IA com um único objetivo: ler o pedido que chega, conferir contra o catálogo e gerar a pré-nota no ERP. Nada de automatizar tudo — um processo só, bem delimitado.
Regra de alçada definida antes do go-live: pedido acima de R$ 5 mil ou de cliente novo exige aprovação humana. O agente não decide sozinho; ele organiza e prepara.
Resultado medido
Depois de quatro semanas rodando (duas delas de ajuste de regras), o quadro mudou: a conferência caiu de 6 horas para cerca de 40 minutos por dia; o erro de digitação baixou de 8% para 2%; as três pessoas foram realocadas para atendimento pós-venda.
Não foi mágica. O catálogo precisou ser limpo antes — nomes duplicados, códigos antigos. Nas duas primeiras semanas o agente errava a leitura de pedidos manuscritos, e hoje 15% das exceções ainda vão para fila humana.
Três lições para copiar
Comece pelo processo repetitivo com volume e regra clara — não pelo mais estratégico. Defina alçada humana antes de escalar, não depois do primeiro erro. E meça antes e depois com números simples: minutos gastos e taxa de erro. Sem baseline, é impossível provar valor.
A distribuidora planeja o próximo passo: um agente de cobrança para faturas vencidas. Mesma receita — escopo pequeno, alçada definida, número para acompanhar.
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