Mais de 40% dos projetos de IA agêntica — a que promete agir sozinha — serão cancelados até o fim de 2027. A previsão é da consultoria Gartner, divulgada em junho de 2025, e os motivos não são técnicos: custos que fogem do previsto, valor de negócio pouco claro e controles de risco inadequados.
A raiz comum desses fracassos é simples de enunciar e difícil de evitar: autonomia sem liderança. A empresa compra a promessa do agente que “trabalha sozinho” e esquece a pergunta que decide o projeto — quem responde quando ele erra? Sem um dono humano, sem alçada definida e sem número de referência, o piloto vira custo fixo. Não à toa, a Gartner estima que apenas cerca de 130, entre milhares de fornecedores de IA agêntica, são de fato reais.
O contraste aparece nos casos que dão certo. Uma distribuidora de materiais elétricos do interior de Santa Catarina, com 62 funcionários, colocou no ar um agente com um único trabalho: conferir pedidos que chegam por WhatsApp e e-mail contra o catálogo e gerar a pré-nota no ERP. Antes do go-live, definiu a alçada por escrito: pedido acima de R$ 5 mil ou de cliente novo exige aprovação humana. Quatro semanas depois, a conferência caiu de 6 horas para 40 minutos por dia, e o erro de digitação, de 8% para 2%. O agente nunca decide sozinho — ele prepara, o humano aprova.
Repare que o resultado veio do escopo pequeno, não de tecnologia sofisticada. O caminho inverso também vale: quem pede “autonomia total” para um agente em processo mal mapeado engrossa os 40%. A direção do mercado, aliás, é essa mesma — a Gartner projeta que, até 2028, 15% das decisões do dia a dia de trabalho serão tomadas de forma autônoma por agentes, contra praticamente 0% em 2024. A questão não é se os agentes vão decidir; é chegar lá com governança.
Checklist antes de dar autonomia a um agente na sua PME:
- Nomeie um responsável humano pelo agente — uma pessoa, com nome e sobrenome.
- Defina a alçada por escrito: o que o agente decide sozinho e o que escala para um humano.
- Meça o baseline antes (tempo, erro, custo) — sem número inicial, não há como provar retorno.
- Comece por um processo repetitivo e delimitado, não pela operação inteira.
- Revise semanalmente as exceções que o agente escalou; é ali que o ajuste fino acontece.
A lição dos 40% não é “não use agentes de IA”. É: autonomia sem liderança é só custo automatizado.
Fontes: Gartner, nota oficial de 25/06/2025 (análise de Anushree Verma); caso da distribuidora catarinense (Pulso Diário).
Deixe um comentário